A Petrobras, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR) a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfaltos (ABEDA) e a Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) assinaram na última segunda-feira (10/8), na sede da Companhia, no Rio de Janeiro, um protocolo de intenções para desenvolver e implementar o Programa de Capacitação e Qualificação Técnica Profissionalizante em Pavimentação Asfáltica.
A Petrobras foi representada pelo diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, o DNIT pelo seu diretor geral, Luiz Antônio Pagot, a ANEOR por seu presidente, José Alberto Pereira Ribeiro , a ABEDA pelo seu presidente, Eder Gomes Vianna, e a ABIMAQ pelo seu diretor tesoureiro, Walter Luiz Lapietra. Também participaram da cerimônia o gerente executivo de Marketing e Comercialização da Petrobras, José Raimundo Brandão Pereira, o gerente geral de comércio de produtos especiais, Silas Oliva Filho e Eunice Muniz Teixeira de Freitas, da ABEDA.
Programa
O Programa de Capacitação e Qualificação Técnica Profissionalizante em Pavimentação Asfáltica representa uma combinação de esforços de toda a cadeia produtiva para a realização conjunta de cursos de capacitação da mão-de-obra em pavimentação asfáltica de todos os níveis no país. A deficiência na oferta de cursos de capacitação profissional contribui diretamente para a falta de mão-de-obra especializada no setor, o que acaba por afetar a qualidade final da pavimentação.
O diretor geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot disse que o Governo já contratou este ano mais de R$ 8,5 bilhões em obras no setor de construção de rodovias mas o Governo se depara neste momento com o problema de falta de mão-de-obra capacitada para aplicar o asfalto. Destacou que as empresas estão realizando um grande esforço para poder usar todos os recursos disponibilizados pelo governo para a realização de obras de construção e recuperação das rodovias mas surgem problemas novos como as fiscalizações excessivas por parte de determinadas órgãos, dificuldades para obter licenciamentos ambientais e problemas com falta de mão-de-obra.
“Os investimentos em rodovias cresceram seis a sete vezes nos últimos anos, provocando uma grande demanda de asfalto e de aplicadores. Hoje, há escassez de mão-de-obra e até de máquinas. Há escassez de engenheiros e de técnicos de nível médio. O DNIT está realizando grandes investimentos em rodovias, ferrovias e também hidrovias, realizando um grande projeto de logística na região mais desenvolvida do Sudeste e do Centro-Oeste. Estamos expandindo os portos, os aeroportos, as ferrovias e as rodovias. Tudo ao mesmo tempo. Os investimentos superam os R$ 10 bilhões por ano. É uma crise boa mas é um grande desafio e espero que a união de toda a cadeia produtiva possa ajudar”, comentou.
O presidente da ANEOR, José Alberto Pereira Ribeiro, disse que as empresas construtoras estão realizando um grande esforço para os planos do Governo mas se ressentem da falta de mão-de-obra e também de projetos de engenharia. Na sua opinião, o programa de qualificação de trabalhadores em todo o Brasil para atender ao setor chega em boa hora e representa um esforço elogiável do DNIT, da Petrobras e dos empresários.
O presidente da ABEDA, Eder Viana disse que o programa está atrasado e que o seu setor está se ressentindo da falta de mão-de-obra há bastaste tempo. Explicou que o deixou de investir em rodovias durante quase 20 anos e provocou uma grande evasão de técnicos de nível médio e de engenheiros especializados
“ Muitos técnicos e engenheiros foram trabalhar em outras áreas e as empresas distribuidoras perderam o seu corpo técnico. Agora temos de formar novos e tentar resgatar os quês ainda estão disponíveis no mercado. Se tivéssemos mais trabalhadores qualificados, as obras estariam deslanchando em todo o País”, comentou.
O diretor da Petrobras, Paulo Roberto da Costa disse que a empresa está muito empolgada com esse projeto porque já vem desenvolvendo outros de treinamento em vários ramos de sua atuação com sucesso. Destacou que o Brasil vive uma fase de grande expectativa de crescimento e começa a sentir falta de mão-de-obra.
“O Brasil parou por mais de 20 anos de investir em infraestrutura. Voltou a investir no Governo Lula, depois que o Pais desmobilizou as empresas de engenharia, tanto na área de construção como na de projetos. O Brasil ficou 29 anos sem construir uma refinaria. No Governo Lula, começamos a construir cinco refinarias, com investimentos de mais de US$ 30 bilhões. No atual Governo, voltamos a construir navios e milhares de novos quilômetros de rodovias. Faltam engenheiros e empresas de engenharia para fazer projetos. Eu fui visitar uma empresa de projetos que foi remontada e fiquei surpreso quando o presidente me falou que, graças as obras contratadas pela Petrobras, ele estava contratando 700 novos engenheiro para trabalhar na elaboração de projetos. Nos estamos reaprendendo a fazer projetos de refinaria, de navios, de pólo petroquímico e de outras industrias. Tudo aquilo que paramos de fazer nos anos 80, 90 e no inicio deste século, voltamos a fazer. É lógico faltar gente qualificada. Os engenheiros que viraram donos de botequim estão voltando. Isto dar orgulho. É importante observar que isto não é uma situação transitória. Com o pré-sal, o País dos próximos dez anos será outro. É irreversível o crescimento do País nos próximos dez anos. O PAC 2 virá e muitas obras virão com o pré-sal”, comentou.
A ANEOR enviou uma carta do presidente José Alberto Pereira Ribeiro a todas as empresas associadas, solicitando informações sobre as suas necessidades de pessoal especializado na área de asfalto e detalhes dos cursos de treinamento de mão-de-obra que já realiza ou que pretende executar na área de aplicação de asfalto, para ajustá-los ao programa que surgirá como resultante do protocolo assinado.
Segue abaixo protocolo de intenções.
Anexo