URG. 028/2008
Brasília, 02 de outubro de 2008
   
A revista “O Empreiteiro – o ranking das 500 grandes,”

publicou o seguinte artigo do Presidente José Alberto Ribeiro.

                                       

                                       INVESTIMENTO É O PREÇO DO CRESCIMENTO
                                                                            José Alberto Pereira Ribeiro

            O Brasil esta seguindo um rumo de crescimento econômico ajustado à sua real capacidade, mantendo o controle da inflação como uma de suas prioridades. No entanto, a reforma tributária proposta pelo Ministério da Fazenda ameaça causar grandes danos aos projetos de crescimento sustentado. É que prevalece na reforma tributaria o critério de conferir prioridade aos objetivos financeiros da Fazenda, deixando todo o restante da economia em segundo plano,
             A reforma tributaria como vem sendo conduzida propõe o fim da Cide-Combustível dispondo que a taxação sobre os combustíveis será feita por intermédio do novo tributo denominado IVA-Federal, sem vinculo com a infra-estrutura de transportes. Não há dúvidas de que o Brasil não conseguirá manter o atual índice de crescimento da economia por muitos anos se não forem investidos grandes volumes de recursos na infra-estrutura de transportes, uma atividade que está inteiramente saturada e atrasada e que já começa a dificultar a expansão das exportações e do fluxo de comércio no território nacional. Neste assunto não existe milagre. O Pais só poderá ser competitivo internacionalmente se dispuser de boas rodovias, ferrovias e portos, Se não tiver uma boa infra-estrutura de transporte e parar de investir na manutenção e expansão da  rede hoje existente, o crescimento futuro estará comprometido.
            O Brasil hoje não esta crescendo a uma taxa de 8% a 10% ao ano, como a China, a Índia e a Rússia. Isso se deve ao fato de ter ficado quase 30 anos sem investir em infra-estrutura. 
            A China, a Rússia e a Índia, para não citar as dez maiores economias do mundo, tem atualmente mais rodovias asfaltadas e ferrovias do que o Brasil. Eles têm também melhores portos.
            Se o governo insistir nesta reforma tributaria equivocada e acabar com a Cide-Combustível e com a vinculação de um tributo para a área de infra-estrutura, o Brasil vai parar de crescer e novamente será refém da estagnação, como ocorreu nas décadas de 1980 e 1990.
            O crescimento brasileiro se dá em todas as regiões e só não avança mais porque as deficiências do segmento de transportes representam hoje uma grande restrição ou constrangimento. O agronegócio e a mineração estão em expansão acelerada e todos os setores industriais estão crescendo. A indústria automobilística está batendo recordes de produção há dois anos. Mas a malha rodoviária brasileira continua deficiente. O Brasil tem hoje uma frota de veículos maior do que as do México, China, Rússia e Índia. No entanto, tem menos rodovias asfaltadas e menos ferrovias do que todos esses paises. Além disso, transportamos 65% de nossas cargas por rodovias e 95% da população por rodovias.
            Para garantir o futuro das próximas gerações, o Brasil precisa planejar melhor a expansão das áreas de produção, logística e de transportes e investir mais em educação. O Brasil tem hoje carência de mão-de-obra qualificada e precisa formar mais engenheiros e profissionais de nível para atender a indústria da construção.
            O que esta puxando o crescimento econômico do Pais são os grandes investimentos em infra-estrutura previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento. O Brasil tem de continuar investindo se quiser crescer. O investimento contínuo é o preço do crescimento.

José Alberto Pereira Ribeiro é presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor)