A revista O Empreiteiro de agosto, que circula
esta semana, publica um artigo do presidente da ANEOR, José Alberto Pereira
Ribeiro, falando da reforma tributaria que o governo pretende fazer este ano.
O artigo tem o titulo de "REFORMA TRIBUTARIA
AMEAÇA A CIDE- COMBUSTÍVEL" e alerta a população sobre os planos do
Governo para criar um imposto - O IVA – e acabar com os recursos para a conservação
e construção de rodovias, através da extinção da CIDE- Combustíveis.
A revista O Empreiteiro publica também o
"RANKING da engenharia brasileira em 2007 – As 500 grandes da
construção", um estudo especial sobre o setor.
Eis a integra do artigo do presidente da ANEOR:
REFORMA TRIBUTÁRIA AMEAÇA
CIDE-COMBUSTÍVEL
A Cide-combustível
trouxe para o Brasil hoje uma nova perspectiva de desenvolvimento. O País agora
tem recursos da ordem de R$ 9 bilhões/ano para expandir a sua infra-estrutura
de transporte e garantir o escoamento da produção no mercado interno e no
exterior. Usando parte desses recursos como contra-partida de empréstimos
internacionais, o Governo pode investir mais de R$ 15 bilhões/ano. É o maior
volume de investimentos de toda a história.
Mas surge neste momento de euforia, uma ameaça a Cide-combustível: o
projeto de reforma tributaria do Governo. O Ministério da Fazenda está pretendendo substituir a Cide-combustível por uma parcela
de arrecadação de um novo tributo – o IVA – de futuro duvidoso e que começou a
ser proposta a sociedade. Querem trocar a Cide, que já mostrou ser um tributo
eficiente e não inflacionário, que pode acabar com o gargalo que o setor de
transporte representa hoje no desenvolvimento brasileiro, por um sistema tributário
semelhante ao que levou a destruição da malha rodoviária brasileira e condenou
ao atraso toda a infra-estrutura de transporte nacional.
Com este retrocesso no
sistema tributário brasileiro, pode ser jogado fora o grande esforço que o País fez para montar um
novo sistema de financiamento para a infra-estrutura de transporte. Hoje, o
Governo pode fazer planos de 15 anos
para o setor e o presidente da República tem a certeza de que toda a obra que
ele contratar terá condições de pagar e de responder por ela. Terá condições de
negociar, através de seus ministros, preços e melhor qualidade. Vivemos uma
nova realidade. A melhor realidade dos últimos 20 anos.
Depois de 20 anos muito difíceis, com uma
carência gigantesca de recursos e de um período que representou um longo
pesadelo na vida rodoviária brasileira, vivemos uma fase em que podemos olhar
para o futuro com segurança. O Governo tem como planejar, investir e
administrar. Tudo isto nos leva a uma reflexão sobre este grande esforço que
fizemos para recriar a vinculação de recursos e o retrocesso que pode
representar para o País o fim da Cide-combustível..
A mobilização do País
para a criação da Cide-combustível é a
melhor demonstração da capacidade de um setor quando as suas empresas se unem
em torno da conquista de alguns objetivos essenciais como a defesa de seu
mercado e a construção de um país com uma melhor infra-estrutura.
Estamos vivendo um
momento bom em termos de investimentos em infra-estrutura de transporte. Este
ano, o Programa de Aceleração do Crescimento prevê investimentos da ordem de R$
7,2 bilhões. Nos próximos 3 anos, o investimento deverá aumentar para R$ 8,5
bilhões/ano. Isto vai acontecer porque temos recursos assegurados pela Cide.
A Cide-combustível
gerou no ano passado, uma receita de R$ 8,5 bilhões. Só os estados e municípios
estão recebendo há dois anos R$ 1,35 bilhões/ano em recursos para serem
investidos em
rodovias. São Paulo, por exemplo, recebe mais de R$ 250
milhões por ano para investir em rodovias. Minas Gerais
recebe R$ 170 milhões e o Rio de Janeiro cerca de R$ 80 milhões. Isto sem falar
dos investimentos do Governo Federal, que usa hoje 100% da arrecadação da Cide
para investir. As perspectivas de nosso setor e de nosso País são muito boas.
Quando a ANEOR foi criada e o Marcos Sant'Anna
assumiu a presidência, a situação de nosso setor era muito diferente. O governo
havia acabado com o imposto sobre os combustíveis que alimentava o antigo DNER
e que permitiu ao País construir e conservar a sua malha rodoviária. Passamos a
depender de recursos do Tesouro junto com outros setores, como saúde, educação,
segurança e outros. Passamos a depender das complicadas decisões da
Fazenda. Chegamos a ter investimentos
de US$ 3 bilhões/ano nas décadas de 70 e 80. Caímos para uma média de R$ 1,3
bilhão/ano de investimentos nos 15 anos seguintes. Foram anos de desespero. O
Governo não tinha recursos para realizar grandes obras e o pouco que fazia não
tinha recursos para pagar. Só nos últimos anos voltamos a ter no orçamento do
DNIT a disponibilidade de R$ 5 bilhões/ano para investimento.
Para construir o
cenário atual a ANEOR trabalhou muito. Os esforços dos diretores e das empresas
associadas não podem ser esquecidos. Tentamos criar um novo imposto vinculados
ao setor por duas vezes e perdemos na justiça e no Congresso. Tivemos de
convencer a sociedade sobre a grave situação de abandono de nossas rodovias,
ferrovias e portos. Tivemos de convencer o Governo e até os empresários que
dirigiam diversas entidades de representação, demonstrando que a solução para o
problema era a recriação do imposto vinculado ao setor. O País tinha
consciência da gravidade do problema. O número de mortes nas rodovias assustava
todo mundo. O Brasil era campeão mundial em mortes com acidentes em estradas
por causa da precariedade da conservação das rodovias. Realizamos inúmeras
reuniões com a Confederação Nacional dos Transportes até conseguirmos a adesão
do seu presidente Clésio Andrade a nossa luta.
Na Confederação Nacional da Indústria, enfrentávamos
uma grande resistência por alguns segmentos, que eram contra a criação de novos
tributos. Mas eles sabiam que a péssima qualidade das rodovias e do sistema de
transporte do País era um grave obstáculo ao crescimento do setor industrial.
Primeiro, conseguimos participar do Conselho de Nacional de Infra-estrutura,
onde demonstramos que não se tratava de um tributo de empreiteiros. No
É hora de se discutir
como tornar obrigatória a transferência dos recursos arrecadados com a
Cide-Combustível para o Fundo Nacional de Infra-estrutura de Transporte (FNIT),
que já foi criado constitucionalmente. e ainda continua sem receber os recursos
desse tributo. Se o Governo passa a usar o FNIT, as transferências de recursos
serão automáticas paras as obras contratadas e não há necessidade negociações
políticas com a Fazenda. Além disso, o FNIT permite que se use os recursos
depositados para garantir outros empréstimos internacionais para a realização
de obras de grande vulto.
Precisamos também
olhar a experiência de outros países, como os Estados Unidos, onde existe um
imposto único e mais um tributo cobrado nas bombas para subsidiar a manutenção
das rodovias e metrôs. É um sistema eficiente e graças a ele os Estados Unidos
têm hoje as melhores rodovias do mundo.
Precisamos seguir as experiências de sucesso e fugir das aventuras que
colocam o País em risco.